Adolescente de 17 anos morre em tiroteio no Centro de Rio Preto
15/07/2017 - 13h54 em Região

Pedro Henrique Bueno de Oliveira, 17 anos, sonhava em cursar medicina veterinária. Neste ano ele terminaria o ensino médio junto com o curso de técnico em agropecuária. Cheio de amigos, descrito como um rapaz alegre, ele não vai adentrar as portas da universidade nem ver os irmãos, uma menina de 12 e um menino de 1 ano e 6 meses, crescerem. Isso porque na manhã deste sábado, 15, morreu baleado durante assalto a uma joalheria no Centro de Rio Preto.

Ele tinha ido para o Calçadão acompanhado do tio Marcelo Barreto, advogado de 48 anos, que compraria uma bota para o sobrinho. Segundo Barreto, os dois estavam para entrar em uma loja quando ouviram os tiros. “Ele (Pedro) me disse: ‘Acertou em mim, acertou em mim’ e caiu”, conta. A bala atingiu o braço direito do jovem e, possivelmente, se alojou no coração. O rapaz morreu logo em seguida.

“Ele cursava o Colégio Agrícola de Mirassol e tinha passado no vestibular (como treineiro) no curso de medicina veterinária da Unirp e começaria a fazer faculdade, que era o sonho dele”, disse o tio. O jovem se formaria no ensino médio neste ano, e também trabalhava há alguns anos em um buffet em Rio Preto. O pai de Pedro, Fabrício Francisquini de Oliveira, de 37 anos, conta que o rapaz tinha uma cachorrinha. 

“Meu primeiro filho. Eles crescem, mas parece que nunca crescem”, disse, em meio às lágrimas. A mãe dele, Rita, preferiu não dar entrevista. Flávia Francisquini Arm, prima de Pedro, diz que o jovem era alegre. “Muitos amigos, muito querido. Trabalhava, era responsável demais, um menino carinhoso, amava de paixão os irmãos”, descreve. Isa Oliveira, 18 anos, trabalhou em algumas ocasiões com o estudante e destaca o jeito brincalhão do amigo. 

“Ele ajudava todo mundo que precisava e estava sempre tentando fazer as pessoas sorrirem. Ele sempre arrumava um bico para fazer, era bem ligado com a família. Gostava de aprender a fazer tudo que via pela frente.” Paulo Ramos, 19 anos, jogava bola com Pedro Henrique e conta que ele era mais que um amigo. “Sempre que eu precisava sabia que podia contar com ele. Foi a melhor amizade que tive! Ele era muito brincalhão ‘zoava bastante’, mas gostava das coisas certas. Ele falava que ainda ia ver eu jogando na televisão.

Ele foi e sempre será a melhor pessoa do mundo. Tudo que existe de bom no mundo era ele.” Ana Maria, 17 anos, estudou com Pedro Henrique na escola Victor Brito Bastos e disse que “ele era muito amado mesmo. O apelido dele na nossa sala era ‘cotonete’ e ele ria muito desse apelido. Ele entra junto na zoação, era divertido, gostava de jogar vôlei. Vai fazer muita falta”. O velório e o enterro do jovem será no cemitério Jardim da Paz, em Rio Preto, neste domingo.

A Prefeitura de Rio Preto emitiu nota lamentando a morte. “A Prefeitura de Rio Preto se solidariza com a família do jovem Pedro Henrique de Oliveira, de 17 anos, baleado e morto durante um assalto neste sábado, no centro da cidade. Aguarda com expectativa a recuperação dos Guardas Municipais Cleyton José da Silva Gomes e Tássia Tomoda Dourado, que bravamente estavam no exercício de suas atribuições e foram covardemente atingidos pelos bandidos.”

 

Colaboraram Nany Fadil e Tatiana Pires

 

 

‘Parecia cena de uma guerra’

Comerciantes em torno do local onde ocorreu o assalto ficaram assustados. Inicialmente, eles pensaram que o barulho dos tiros fossem de fogos de artifício. Ao constatarem que havia bandidos correndo e atirando, populares que passavam pelas ruas entraram nas lojas procurando abrigo. Os comerciantes disseram que a ação foi muito rápida e não tiveram tempo nem de abaixar as portas.

“A gente teve muita sorte. Eu estava na loja debaixo e pensei que fossem fogos. Subi a rua e vi um dos bandidos descendo correndo com a mochila, os outros dois atrás, correndo de lado e atirando sem parar, sem parar”, disse um dos empresários, que pediu para não ter o nome divulgado.

Outra comerciante, que também não quis ser identificada, contou que ao sair da loja viu os tiros e voltou correndo. “Parecia cena de uma guerra, o barulho, os tiros, as pessoas correndo aqui para dentro, os guardas caindo no chão”. A funcionária dela completou: “Foi o pior momento que eu já vivi. Não sabíamos o que fazer. Eu corri e agachei atrás do balcão”.

Em dezembro, Rio Preto parou

Há sete meses moradores de Rio Preto viveram outro momentos de pânico durante a tentativa de assalto a dois carros-fortes no Walmart, zona sul da cidade. Dois criminosos foram mortos durante a troca de tiros com a PM, um foi preso e dois policiais ficaram levemente feridos. Em nova troca de tiros, outro suspeito de ter participado da ação foi morto no bairro Setsul.

Ao todo, seis bandidos armados com metralhadoras renderam as vítimas. Na última terça-feira, dia 11, foi a vez de moradores de Olímpia ficarem amedrontados. A cobrança de uma dívida terminou em intensa troca de tiros, pânico e quatro feridos, sendo dois em estado grave. Cerca de 20 tiros foram disparados durante o tiroteio.

Guarda municipal estava armado

O guarda municipal Cleiton José Silva Gomes, 31 anos, estava armado com uma pistola calibre 380, marca Taurus. A arma foi encontrada no chão por um outro guarda, que estava à paisana pelo local. Ela foi apresentada na Central de Flagrantes durante à tarde, depois que a GCM havia afirmado que Cleiton não estava armado. De acordo com a GCM, isso foi dito porque até aquele momento não havia a informação de que o profissional portava o objeto. Ainda segundo a corporação, há salvo conduto para que os guardas usem armas de fogo para defesa pessoal. 

Alexandre Montenegro, presidente da Associação dos Guardas Municipais, fala que há esse direito, e acusa falta de estrutura. “A gente tem tido um aumento de função, cada vez mais requisitada.” Ele diz que a entidade promove cursos para os guardas, mas que a formação deve ser contínua e de responsabilidade do poder público. Alexandre considera a arma necessária. Hoje, a corporação fornece arma de eletrochoque, tonfa (espécie de cassetete), spray de pimenta e algemas.

 

Parte dos guardas utiliza armas particulares porque conseguiu esse direito na Justiça. O treinamento realizado é menos aprofundado que o feito pela Polícia Militar, por exemplo. A Prefeitura chegou a fazer licitação, no ano passado, para a compra de armas, mas não houve permissão do Exército. Neste sábado, questionado pelo Diário sobre o assunto, a Prefeitura disse que não se pronunciaria a respeito do assunto no momento. 

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